22 de setembro de 2005

TERRA BRASILIS

Nos próximos meses é deste lado do mar que vou escrever.
Começo por São Luiz, no estado do Maranhão.
Eta terra mai porreta!
A arquitectura é uma maravilhosa reminiscência de um tempo que não foi em tanta coisa maravilhoso, os séculos XVIII e XIV. Casarões altos, pintados de azul claro, vermelho, branco, naquelas combinações de cor que só existem deste lado.
E o mar (que não experimentei- ainda comido pelo jet lag e pelo calor gigante) azul e verde ao mesmo tempo.
Mas o mais surpreendente de tudo, para mim, é a descoberta de que me encontro numa feira gigante. São milhares, as lojas e bancas que vendem tudo o que o povo gosta. Com muita música e altifalantes que gritam, com voz abafada, de dentro das lojas: "Aproveitem, que Dona Graciela deu ordem de baixar tudo!".

19 de setembro de 2005

SENSO COMUM

Parece mentira, mas esta semana concordei duas vezes com o que escreveu o João Pereira Coutinho no "Expresso". Nomeadamente no artigo em que se manifesta (por uma vez, benza-o Deus!) de forma sensata sobre a forma como a "homossexualidade" é tratada, hoje, em Portugal.
Num mês em que tivemos ao mesmo tempo, grupos de ignorantes, a apelarem ao ódio contra tudo o que não invista contra as mulheres (a não ser outras mulheres) e um bando de araras a dar o espectáculo patético da sua ignorância, enquanto vestem (com um gosto de fugir, na minha modesta opinião) uns bezerros condescentes, J.Pereira Coutinho vem lembrar que não há mérito nenhum na orientação sexual. Que existem pessoas. Que o sexo é amoral. Que sempre foi e tudo o que se possa elaborar à volta não passará de adjectivação.
Isto é do senso comum, claro. Mas nem por isso menos importante de ser lembrado.

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18 de setembro de 2005

VIDEORUN 2

Estou a ficar velho para isto,lol!
48 horas depois, um filme melo-melo (lol!), formalmente dos anos 70, aqui estou para testemunhar que estou vivo.
O resto dos participantes também, quanto aos filmes, ainda não vi: o júri está lá dentro. É a vez deles.
O divertimento foi nosso.

16 de setembro de 2005

VIDEORUN

48 horas para fazer um filme.
É mais uma (a 3ª) das maratonas organizadas pela Restart, escola de novas tecnologias.
18 equipas a competir para 3 prémios, mas sobretudo juntas pelo acto de criar. E divertir-se.
E a provar que é possível fazer um filme sem meios financeiros e num tempo de captação e montagem... ridículo.
:) Lá estaremos, pelo gozo.

11 de setembro de 2005

LIVRO DE CRÓNICAS

A pedido de muitas famílias resolvi reunir, rever e publicar as principais crónicas bem como alguns textos que saíram na Imprensa nos últimos anos.
Hesitei durante muito tempo. As crónicas têm por natureza um carácter de tal maneira ancorado no quotidiano que muitas vezes ficam datadas, ao ser lidas mais tarde.
Escolhi entre dezenas delas. As que me pareceram mais intemporais e ao mesmo tempo, mais emocionadas ou irónicas. Penso que talvez façam sentido e ajudem outras pessoas no processo de reflectir sobre as nossas vidas, neste país pequenino, que amamos apesar dele.
A sair lá para o fim do ano, passo a publicidade.

8 de setembro de 2005

ELEIÇÕES ANTARTICAS

É formidável tropeçar nos debates para as autárquicas. Políticos apelam ao coração dos votantes dizendo nomes de freguesias com que até há pouco tempo nem sonhavam, locais que nem sabiam existir do lado de lá da autoestrada.
Tudo muito sério, a fingir que vão mesmo mudar alguma coisa.
Esta classe política pode contar desde já com... a minha abstenção.
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7 de setembro de 2005

EDUCAÇÃO

Se ainda houvesse alguma dúvida sobre o tipo de formação que estamos a dar ao ppl mais novo, bastaria ver a última campanha da TMN para ficar esclarecido:
"KRAVA"- Se não tiveres dinheiro para chamada crava uma ao destinatário...

Já o Sapo messenger, diz "Passa a vida a curtir com os teus amigos...".

:) Ainda bem que o país está rico e que as novas gerações não vão ter de mexer uma palha para sobreviver. Ufa! Olha se fosse como no resto do mundo onde quem não trabalha não come...

4 de setembro de 2005

HARRY POTTER E O PRÍNCIPE MEIO-SANGUE

Por imperativos familiares (digamos assim) lá tive de enfrentar as mais de 600 páginas em inglês do último livro da J.K.Rowlings. Isto já me tinha acontecido antes (o que faz de mim, o único escritor português que, não só não leu o Proust aos 12 anos - ao contrário de tantos e tantos intelectuais portugueses - como ainda leu os 6 volumes da colecção.
Confesso que desta vez me custou mais começar, já que o último (A ORDEM DA FÉNIX) era tão grande como fraquinho, mas, para meu espanto e alívio, a autora recuperou a mão.
Tolos os que desprezarem as capacidades de escrita e de mimetismo com os seus leitores que crescem, livro após livro. Ela vende, porque é boa no que faz. Ponto.
Para os tios e pais que quiserem fazer um brilharete junto da miudagem, adianto que o Ron e a Hermione se entendem, finalmente, o irmão Bill, caçador de dragões fica com a cara num frangalho. E, mais importante do que tudo, DUMBLEDORE MORRE ÀS MÃOS DE SNAPE (esse canalha de cabelo seboso, raios o partam!). Hogwarts deverá fechar, mas o solitário Harry não se importa porque no último livro terá de enfrentar definitivamente Aquele-Que-Não-Se-Pode-Dizer-O-Nome.
Boa sorte com as novidades ;)
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LIVROS

Pode ser de estar em vésperas de viagem. E de poder ser como as grávidas que só nessa altura é que reparam que o mundo está cheio de carrinhos de bebé... Mas só agora li o volume que compila as crónicas que Gonçalo Cadilhe publicou no Expresso. Juntou-as sob o título de PLANISFÉRIO PESSOAL. E é disso mesmo que se trata. Se um percurso de escolhas pessoais; o que quer ver e o que não lhe interessa; afastar-se do turismo de massas em busca do que resta de autêntico num mundo cada vez mais igual. Divertido, inteligente e profundamente humano.
Ao longo de 250 páginas, Gonçalo Cadilhe lembra-nos que o nosso lugar no globo é humilde; que há injustiça por todo lado; que o país onde pertence é pequenino e frequentemente mesquinho e que mesmo assim se sente a falta dele.
Um livro pessoal, muito bem escrito (repito, numa altura em que tanto lixo se publica sob a forma de relato de viagem: muito bem escrito!).
A não perder.

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BLINDNESS

Muito interessante a adaptação de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, pelo Bando, a partir do romance de Saramago.
Fiel ao espírito do livro e ao texto, a encenação relembra a força do trabalho do escritor.
A escolha da música também é muito boa, "cinematográfica" na forma como pontua todo o espectáculo, fraqueja apenas no final, grandiloquente de mais, contrastando com o trabalho anterior.
A cenografia é das mais engenhosas que se tem visto nos últimos tempos, por cá.
A segunda parte do espectáculo é mais desiquilibrada, mas ainda assim, bastante interessante.
A ver. Num tempo onde a cegueira ainda persiste...
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